Festas de final de ano são, pra muita gente, sinônimo de confraternização, reencontro, paz e família reunida.

Festas de final de ano são, pra muita gente, sinônimo de confraternização, reencontro, paz e família reunida.

Não sei se andei perdendo o espírito da coisa, mas, pra mim, é sinônimo de comida. De lentilha a peru, essa é a época mais divertida do ano. Pra quem mora sozinho o ano todo e tem uma dieta balanceada – variando da comida do Restaurante Universitário ao Miojo e “cachorrão do seu Juca” – é quase uma benção.

Pra poder tirar o atraso e não passar uma noite de rei no Natal e Ano Novo, todo cuidado é pouco. E, se for mesmo seguir os conselhos da avó e comer tudo que tem direito, tenha consciência de que seu estômago pode não estar preparado pra este pequeno milagre gastronômico.

Você está sozinha e sente que seu estômago não curtiu muito a mistura cerveja + peru + pavê de morango com nozes + mandioquinha frita do bar da Dona Neide + cerveja + churrasco do dia anterior. Como você mora sozinha há muito tempo e é independente, resolve ir ao pronto socorro. Sozinha. Eis aí, colega, o primeiro erro da noite.Ceia

Quem é mulher sabe que, não importa o quão descabelada você esteja, nessa época do ano, qualquer bêbado que passe do seu lado vai te achar gata. No auge da sua intoxicação alimentar, vendo estrelas a cada quebra-mola da cidade e um indivíduo destes faz questão de te fechar na rotatória e perguntar se você tem telefone. Ótimo.

Chegando ao pronto socorro, pior ainda. Tem um de perna quebrada, outro todo ralado, mais uma tomando glicose na veia e por aí vai. A atendente – que nessas horas está feliz e realizada com o trabalho – te pergunta qual é o caso. Autodiagnóstico é fundamental. Não diga simplesmente “ah, eu não tô me sentindo bem…”. Diga “eu estou com intoxicação alimentar” (vai que você acerta!), ou então vai passar umas 4h sentada no saguão. Sem banheiro.

O médico diz que você tem que tomar soro e, sozinha, você não tem pra quem choramingar. Te colocam numa sala com mais 29 pessoas e – surpresa! – o colega tomando soro na cadeira ao lado resolve conversar. Quer saber o que você tem, se é o mesmo problema que ele, se não tem ninguém da família junto. Respondeu a primeira pergunta? Segundo erro da noite. Finja que é muda desde a primeira pergunta e tudo certo.

Você tomou todo o seu soro, que parece ter demorado 5h pra acabar, e agora vai pra casa descansar, certo? Errado. Veio dirigindo sozinha? Não tem ninguém pra te levar pra casa? Fica mais uma horinha em observação então, tá tão fraquinha, coitada. Melhor não arriscar. E o mesmo colega do soro insiste em conversar, em contar sobre o natal dele, um primo que veio lá de Macapá ou Belford Roxo, sei lá…

Fofinho o bichinho verde? Eu tava exatamente assim sábado

Fofinho o bichinho verde? Eu tava exatamente assim sábado

Enfim, o que importa é ter cuidado. Se for pra comer um monte, que seja o ano todo. Se for pra passar mal, que seja perto dos parentes. E se for pra ir pro hospital, carregue um primo ou tia junto.

Ah, o ano novo… Uma época tão linda, tão encantada, que te faz repensar muitos pontos da vida. Tipo, se vale realmente a pena morar sozinha e passar por tudo isso sem a mamãe. E, claro, sobre o regime que vai começar na próxima segunda-feira, sem falta. Promessa de ano novo.